
Que o Parque do Engenho Central é um espaço próprio para a realização de vários eventos culturais a população de Piracicaba já sabe. Mas um fato que chama atenção é que o local recebe também músicos que procuram aprimoramento, associado à tranqüilidade e natureza que o espaço pode proporcionar. A procura por uma sombra agradável é prioridade todos os dias para o músico Aziz Bahury Soares. Uma outra banda que utiliza espaço é a João Romeu Pitolli, conhecida como Banda da Guarda Mirim. Os integrantes da Banda Décadas são outro exemplo de quem aproveita a arquitetura histórica e a paz do local para as reuniões em grupo.
“Como o local é público, nada impede um músico de ficar ali e começar a tocar”, lembra José Eduardo de Campos, administrador do Parque Engenho Central. Ela afirma que muitos artistas plásticos também “acabam levando o cavalete e o banquinho e ficam ali, pintando”.
Foi isso o que fez o músico Aziz. Só que ao invés de pegar o banquinho e o cavalete para pintar, pegou o saxofone e começou a ensaiar. Ele está em Piracicaba exclusivamente para aprimorar os seus estudos em saxofone, por isso precisa de concentração e disciplina rígida. Natural de São Luiz do Maranhão, o músico tem até julho -- data em que conclui seus estudos musicais -- para explorar os bons “ares do Engenho”. “Antes eu ensaiava em apartamento, até que um dia reclamaram. Quando você toca uma música ou outra ali, os vizinhos até não reclamam, mas quando é um estudo repetitivo, como no meu caso, a maioria se vê incomodado com o barulho do instrumento”, diz ele, que encara até os dias mais frios na beira do rio em nome da música. “Ainda estranho um pouco o clima de Piracicaba, que é mais frio em relação ao Maranhão”, informa. O músico quase desanimou diante das reclamações dos vizinhos, mas a solução veio a tempo, quando um professor lhe falou das sombras do Engenho. “Se eu soubesse, desde quando comecei a ensaiar teria vindo aqui”, acrescenta.
Já a Banda Décadas, que possui quatro anos de estrada, é veterana nos ensaios ao redor do Engenho. Eles usam o lugar há dois anos. Antes os encontros aconteciam nas casas dos integrantes ou, em determinados casos, até em estúdios, que eram alugados pela banda. “Dos sete integrantes, cinco são ex-guardas-mirins. Aí nós descobrimos com o pessoal da Banda da Guarda que eles ensaiavam lá e passamos a fazer o mesmo”, lembra o ex-guardinha e músico Paulo Henrique Mendes Santos, que completa: “mas a natureza, o ar, a sombra ajudam bastante no desempenho musical. Traz bastante tranqüilidade”. O saxofonista Aziz concorda com Paulo Henrique e acrescenta que o local proporciona muito mais vantagem do que o treinamento que é feito em casa. “Todos estão aqui para estudar música. É uma coisa que exige concentração e aqui não toca campainha, não tem ninguém para bater na porta e muito menos telefone para atender”, afirma Aziz.
Para o administrador do Engenho, José Eduardo, o fato do local ser procurado pelos músicos é muito positivo. “Tais coisas só solidificam a imagem histórica e bela do Engenho Central, que é o principal cartão postal da cidade”, finaliza.
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