Cultura
08/07/2004
0 comentário(s)
Festa do Divino: 178 anos de fé e devoção
Em uma semana de eventos, cerca de 65 mil pessoas devem passar pelo Largo dos Pescadores, na cidade de Piracicaba
Com a celebração da Santa Missa, derrubada e benção dos barcos, a Irmandade do Divino inicia neste domingo, às 9 horas, no Largo dos Pescadores, a parte religiosa da 178ª Festa do Divino de Piracicaba. Os festejos continuam até o dia 11, com previsão de participação de 65 mil pessoas. Com estrutura pronta, os festeiros e voluntários já começam a se preparar para o encontro no rio, na próxima semana.
A manifestação popular e de religiosidade continua nos dias 5, 6 e 7, às 20 horas, com o Tríduo Solene (santa missa e pregação), na Capela do Divino Espírito Santo. Também nos dias 6 e 7, às 13 horas, acontece a visita e benção das casas da Rua do Porto pelo padre Cândido Aparecido Mariano (capelão) e pelos festeiros Áureo Menghine e sua esposa, Lázara Sartori Menghine.
Para o casal ´seu´ Áureo e dona Lázara, a festa faz parte da tradição da família. Mesmo com o braço machucado, ela garante que a festa segue com muita animação e fé no Divino Espírito Santo. Nestes últimos dias os trabalhos seguem em ritmo “mais que dobrado”, mas há mais de quarenta anos, desde que o casal vive nas proximidades do rio Piracicaba, a religiosidade toma conta e o clima de devoção envolve toda a família. “É uma coisa que a gente faz com gosto. Tem que ter fé e acreditar no Divino, ou então, nada no mundo é bom”, diz ´seu´ Áureo, que tem uma oficina mecânica junto com o filho, próximo à residência.
Próximo aos dias da festa, ele divide o trabalho na oficina com os afazeres religiosos. “Hoje (ontem) levei uma bandeira numa casa perto da Paulista. Depois eu vou pegar outra bandeira com minha vizinha e levar para um outro casal que pediu a visita”, informa ele, lembrando que “a colaboração vem de todos os lados, desde o pessoal que mora perto até os que têm devoção pelo Divino”.
Doações e prendas para a festa pelo telefone 3434-9701 ou na rua Moraes Barros, 58, no Largo dos Pescadores.
Tradição do Divino é mantida nas casas
Trajeto foi acompanhado pelo diácono Luiz Venturini e pela festeira Aparecida Menghin
A tarde de ontem foi marcada por muita devoção e fé ao Divino Espírito Santos para os moradores ao redor do calçadão da Rua do Porto e avenida Beira Rio. A maioria recebeu a benção da bandeira do Divino, pelo diácono Luiz Venturini e pela festeira Aparecida Menghini, que percorreram mais de trinta casas. Muitas prendas são arrecadadas durante o trajeto.
O trajeto foi do calçadão do Bar Varanda até a Agência Torres (antigo Clube Regatas). A benção começou um pouco mais tarde, desta vez sem a presença do padre capelão Candido Mariano. Durante o trajeto, os moradores já estavam ansiosos e prontos para receber a bandeira.
Para o diácono Venturini, a emoção de acompanhar a benção foi de grande valor. “Tenho 54 anos de profissão e este é o primeiro ano que faço isso. Fiquei admirado com a devoção dos fiéis”, diz ele.
Quem também acompanhou a benção nas casas foi Vera Moraes Sartori, que soma 22 anos de atividades pelas graças alcançadas com o Divino. “Foi uma experiência significativa. Eu sabia que a passagem da bandeira era assim, mas não imaginava que fosse tão emocionante”, afirma.
“Hoje a salvação veio entrar na sua família”, lê Venturini, ao dar a benção em todos os lares, aspergindo água benta por todos os cômodos. A dona-de-casa Analú de Araújo, 37, ficou à espera da benção, acompanhada da sobrinha e do filho. Por muito tempo foi marinheira, mas hoje apenas acompanha a procissão. Ela recebe a bandeira desde que nasceu e lembra de uma das histórias de sua mãe, já falecida, sobre as graças do Divino. “Quando minha mãe ia me ganhar e ainda estava grávida, ela passava por muitos problemas. Só nasci pela graça do Divino Espírito Santo”. Analú completa: “É a coisa mais maravilhosa quando o padre traz a bandeira, dá uma paz”, informa.
Quanto aos fenômenos contatos pelos moradores, o diácono explica que “são sinais de que a presença de Deus está sempre com a gente. O evangelho de São João nos fala desse significado. Mas tudo depende da crença da pessoa”.
A comerciária Márcia Rocha, 46, costuma dizer que recebe a visita da bandeira como presente de aniversário. É que ela nasceu no dia 20 de julho e, todos os anos, a visita acontece um dia depois. Como toda devota, Márcia também tem uma história de cura na família. “Meu irmão tinha uma bronquite incurável. Passei a colocar a bandeira para dormir com ele e a melhora veio logo”, diz ela, que não tem a chance de entrar na balsa (no Encontro dos Barcos), mas que encontrou uma forma de homenagear o divino: “Todos os meus funcionários trabalham a semana de vermelho e branco”.
Voluntários desdobram-se até domingo
Mais de cinqüenta pessoas se revezam entre os afazeres da Festa do Divino
Cuscuz, frango e leitoa assada. Estas serão as delícias que serão servidas a partir de hoje, no Salão do Divino. Também haverá seresta e participação de Fábio Monteiro, Sueli Marafon, Toninho Marchini acompanhados pelo Tom Brasil.
Para dar conta de todo o movimento, cerca de 50 pessoas se voluntariam ano a ano. Num ritmo bastante apertado, todos trabalham duro até domingo. Os afazeres não se limitam apenas aos preparos na cozinha, mas na hora de servir as mesas, no caixa e na limpeza. Nadir Tomé, 67, mora em São Pedro e há mais de dez anos presta serviços durante a festa. Junto com João Francisco, 58, também voluntário há dez anos, tem que dar conta de assar cerca de 200 frangos e leitoas por dia.
Maria Rosa Zílio Casarin, 58, é integrante da Comunidade do Divino há 22 anos, mas há 12 anos cumpre uma importante missão: comandar a cozinha dos festejos. Ela faz o serviço voluntário “com muito prazer”, ao lado de outras 20 pessoas, entre homens e mulheres, que se revezam entre as mais variadas funções na cozinha.
Não há comentários. Clique em "Deixar um comentário" e seja o primeiro.
|
|
Mais notícias da seção
Cultura no caderno
Cultura08/07/2004 - Cultura - Homem-Aranha: sucesso entre várias geraçõesNão importa se é nos quadrinhos, na tv ou no cinema, mas as histórias deste super-herói mutante atrai cada vez mais pessoas; Ramirez, 10; Tiago, 22; Schmidt, 43, e Rodrigo, 34, fazem parte desta vasta lista...
05/07/2004 - Cultura - Stickers estampam arte nas ruasTrabalhos levam mensagem de protesto e são feitos por anônimos; em Piracicaba, novas formas já começam a dar sinais de surgimento nos muros e lugares ociosos; O sticker NRG aponta Carlão Energia como precursor do movimento na cidade...
01/07/2004 - Cultura - Escola de Música criará Orquestra FilarmônicaAnúncio foi formalizado por Celisa Frias, responsável pela escola e Almir de Souza Maia, do Instituto Educacional Piracicabano; iniciativa faz parte do planejamento estratégico da instituição e deve contar com apoio do setor privado, com investimento de R$ 300 mil...