
A chegada do ministro da Cultura Gilberto Gil é esperada com muita expectativa pelas autoridades da área cultural de Piracicaba. Como não foi possível a vinda ontem, devido a compromissos solicitados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro passa primeiro pelo 3º Fórum Regional de Rio Claro, pela manhã, e por volta das 12 horas ele chega à cidade, uma hora antes do que havia sido divulgado em noticias anteriores.
O menu do restaurante Mirante não foi alterado com a vinda de Gil. Será servido o tradicional pintado na brasa, filé mingnon e lombo, como de costume na casa. “Esse é o prato que a maioria das pessoas quer comer quando chega à Piracicaba”, justifica Mariovaldo Benites, proprietário do Mirante.
Logo depois, o ministro parte para a Galeria do Engenho Central, às 14 horas, quando participa da reunião aberta de cultura. Ele fica na cidade até às 15h30. A expectativa do secretário Heitor Gaudenci (Ação Cultural) é que Gil “declare” a importância do Engenho como patrimônio cultural e histórico nacional. Gaudenci esclarece que houve uma confusão nesta questão, pois é comentado que o ministro vem para anunciar verba para o Engenho. “Isso não tem como acontecer, não existe nem projeto protocolado na Secretaria de Cultura. Eu não espero verba para o Engenho, isso não existe, ainda estamos elaborando projetos, com engenheiros analisando tudo. É somente uma declaração”, frisa Gaudenci.
O que realmente é esperado é o anuncio da verba de apoio à 31ª edição do Salão Internacional de Humor, cujo projeto foi encaminhado ao Fundo Nacional de Cultura. O valor a ser anunciado pelo ministro ainda é incerto, mas, de acordo com Gaudenci, foi acertado com Juca Ferreira, secretário executivo do Minc, algo em torno de R$ 200 mil. Mesmo assim, este valor é insuficiente para toda a programação do Salão, que possui projeto de R$ 500 mil. “Esse valor é para um salão ideal, mas entre o ideal e o real tem uma diferença enorme”, declara o secretário de Ação Cultural.
Desde o ano de 2002, o evento passa por uma situação “precária” e sofre com a falta de verba, tanto do estado e do município, quanto por parte da Secretaria de Cultura. Para se ter idéia, em 2002, por conta da transição entre os governos Lula e FHC, não houve verba do Minc, e por parte do estado “a verba foi pequena”. “Em 2002, o Salão aconteceu num clima meio arroz com feijão”, acredita Gaudenci.
Já no ano passado, como o Salão completava 30 anos, era preciso uma programação especial, mas isto aconteceu “na medida do possível”, uma vez que era preciso “custo quase zero da Prefeitura”, de acordo com Gaudenci. A verba veio apenas do órgão municipal e, sem mais alternativas, a Secretaria de Ação Cultural buscou o apoio privado, que garantiu o lançamento do “Catálogo do 30º Salão”, a publicação os “15 de Piracicaba”, e o livro “Piracicaba: 30 anos do Salão”.
Para 2004, os esforços não serão diferentes e vários projetos já foram encaminhados para o setor privado, na tentativa de “suprir as falhas ao longo do processo”, destaca Gaudenci, que está positivo com a visita e acredita que a vinda de Gil já “ajuda bastante”.
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