Cultura
08/07/2004
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Homem-Aranha: sucesso entre várias gerações
Não importa se é nos quadrinhos, na tv ou no cinema, mas as histórias deste super-herói mutante atrai cada vez mais pessoas; Ramirez, 10; Tiago, 22; Schmidt, 43, e Rodrigo, 34, fazem parte desta vasta lista

Antes mesmo de conquistar os telões do mundo inteiro, as aventuras do super- herói mutante Homem-Aranha já conquistavam milhões de pessoas em todo o mundo. No Brasil, a “aracnomania” existe desde a chegada do primeiro desenho animado, em 1966, três anos antes da primeira versão brasileira em quadrinhos, em 1968. O carisma de tímido garoto Peter Parker – órfão de pai e mãe e criado pelos tios-avós – atravessa várias gerações.
Em cartaz em praticamente todas as salas de cinema do país, a segunda edição do filme Homem Aranha completa uma semana de exibição na cidade. No período, mais de dez mil pessoas passaram pelo Cine Shopping até a noite de terça-feira. De acordo com dados da produtora Sony Pictures Entertainment, somente a sessão de estréia arrecadou um valor de 40,5 milhões de dólares. Nada perto do primeiro lançamento, com um lucro acima dos 800 milhões de dólares.
Fora do Brasil, antes de virar filme, o desenho original do Homem-Aranha é uma criação de Stan Lee e Steve Dikto. A primeira aparição foi na revista Amazing Fantasy, 15 em agosto de 1962. Menos de um ano depois, em março de 1963, já era lançada a revista mensal The Amazing Spider-Man. O segredo do sucesso, de acordo com próprio Stan Lee, é a mistura de um personagem humano, com problemas familiares comuns e de poderes sobrenaturais. A segunda fase do Homem Aranha é inaugurada por Todd McFalane, nos anos 80. Ele reformulou os desenhos e deu novas características gráficas ao enredo do garoto Peter Parker.
O novo visual do artista McFarlane foi o que mais atraiu Rodrigo, 34 anos, a comprar um gibi com a história do Homem Aranha. Na época ele tinha 18 anos. O entrevistado prefere não divulgar a profissão e o sobrenome, já que muitas pessoas vêm o fato com outros olhos e, na maioria das vezes, acham estranho um adulto ler e colecionar gibis. A coincidência da história fictícia (do herói) com a de Rodrigo (leitor) tornou o interesse ainda maior. “Peter Park não morava com os pais, andava sem dinheiro e não conseguia uma namorada estável. Era praticamente o contexto que eu vivia na época”, diz ele, que hoje leva uma vida diferente: tem uma profissão, filha e esposa, mas ainda não se desligou das histórias. “Leio para valorizar o trabalho gráfico do artista. Não é apenas a trama em si que me atrai”, justifica.
A mensagem que o quadrinho e o filme traz também deve ser levada para a vida real, na opinião de Rodrigo. “Num determinado trecho, o tio-avô do Peter Park diz: ‘Grandes poderes, grandes responsabilidades’ e eu acredito que isso acontece na vida de muitas pessoas: juizes, advogados, médicos. Quanto mais poder, mais a responsabilidade. Se todos adotassem essa frase na vida real e profissional seria muito diferente”, acredita Rodrigo.
O estudante da terceira série do ensino fundamental, Ramirez Balota Souza, 10, faz parte da nova geração de apreciadores e nostálgicos pelas aventuras de Peter Parker. “Desde que aprendi a falar já gostava do Homem-Aranha. Ele é muito legal”, diz o garoto, que iniciou sua coleção em 2000. “Mas eu tive que correr atrás do prejuízo nos sebos. Consegui muitos desenhos, adesivos e fantoches antigos. Também comprei a adaptação oficial em história em quadrinhos do primeiro filme”, completa.
Como também gosta de desenhar, Ramirez passa as horas vagas procurando novas formas e cores, sempre de acordo com a imaginação. Como o desenho animado deixou de ser exibido na televisão, ele procura sempre as locadoras de vídeo, para não perder as façanhas do Homem-Aranha.
Da febre do Homem-Aranha nem mesmo o colecionador Antônio Henrique Schmidt Zaghe,43, escapou. Ele acompanha a evolução mutante do herói desde o surgimento no país, em 1966. “No meu acervo eu tenho exemplares antigos e publicações do super-herói, que era o ano que ele estava na faculdade e tinha o Flash Thompson como rival. Além das fotos, consegui uma dublagem em película e também a versão original do desenho do Homem- Aranha”, informa Schmidt.
O jovem Tiago Domingos, 22, que trabalha numa papelaria, descobriu o herói dos quadrinhos em 1993. Desde então, passou a fazer parte da lista dos seletos colecionadores do vasto acervo do Homem-Aranha. “Ele é um super-herói que leva uma vida entre o normal e o anormal. Eu gosto desta relação Peter Parker versus Homem Aranha. A identidade secreta é muito misturada com a realidade e não-realidade”, diz Domingos.
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