
Fundada em 1968, sob o ideal do artista plástico Archimedes Dutra, a Pinacoteca Municipal “Miguel Archanjo Benício D´Assunpção Dutra” foi planejada para se tornar um centro de excelência na área das artes plásticas, mas não é o que pode ser verificado hoje, quando se passa em frente ao local. A casa permanece fechada e não recebe eventos desde o ano passado. Além disso, o local sofre com infiltrações e quase todo o acervo está em condições impróprias de armazenamento. Mas o destino da Pinacoteca divide opiniões de usuários, artistas plásticos e autoridades.
Desde que foi construída, a Pinacoteca não recebeu atenção necessária dos órgãos públicos municipais. Isso aconteceu em todas as gestões, que fizeram várias intervenções na estrutura do lugar, mas, hoje, não adianta mais remendar com obras. A Pinacoteca precisa de uma reforma total”, afirma o artista plástico Eduardo Borges de Araújo.
O local foi arquitetado para armazenar e expor mais de 500 obras de artes, sediar exposições como a Mostra Almeida Júnior, Salão de Belas Artes e outros eventos ligados à arte plástica. Mas os espaços para a realização de oficinas, cursos, palestras estão com infiltração de água nas paredes e, quando chove, o local fica praticamente alagado. Além disso, a rede de energia elétrica precisa ser refeita sob risco de provocar curtos circuitos. Enquanto a reforma não é providenciada, as mostras – que deveriam acontecer no local – são realizadas em espaços alternativos da cidade, como é caso da Mostra Almeida Júnior, que está no Shopping, ou do Salão de Belas Artes, que ficará no Teatro Municipal.
Para que o acervo não fosse danificado, as 500 obras de arte, divididas entre pinturas, esculturas, desenhos e objetos, foram amontoados numa única sala, um dos poucos lugares que não sofre com problemas estruturais. Mesmo neste caso, o acervo fica protegido das chuvas, mas isso não significa que ele não sofra danos. A sala não possui temperatura ideal e também não está livre de poeiras.
Uma das grandes causas de todo o problema é o telhado, que não possui escoamento para água. Toda a chuva se acumula no teto e também tem a questão paisagística, que não foi planejada de forma correta”, aponta Cláudia Woltzenlogel Paleo, responsável pela Pinacoteca há 11 anos. Ela informa que um ipê -- instalado em frente a casa de artes -- é o maior causador dos problemas. “Qualquer vento que acontece já leva as folhas para dentro da laje. Quando é feita a limpeza, são recolhidos cerca de 12 sacos de cem litros das folhas da árvore”, acrescenta ela.
Preocupado com a situação atual, o vereador José Otávio Menten (PSDB) enviará indicação ao prefeito José Machado (PT) e ao secretário Heitor Gaudenci (Ação Cultural), cobrando providências necessárias para ativação do local. “Eu sei e todos sabem das atuais dificuldades financeiras que a Prefeitura enfrenta, mas acredito que se a sociedade não pressionar os governantes, a administração pública acaba se acomodando”, afirma o vereador.
Cláudia Paleo acredita que o fato da Pinacoteca estar fechada simboliza um ato de coragem da Prefeitura. “Já presenciei várias reformas, mas nenhuma resolveu o problema. Muitas intervenções vieram, mas não adianta ficar maquiando”, lembra, se referindo a episódios passados, quando lonas foram improvisadas no telhado para que o público não fosse impedido de visitar as mostras.
ROAUNET - Um dos caminhos apontados para a reforma da Pinacoteca é a busca de recursos por meio da iniciativa privada. Um projeto orçado em R$ R$ 495 mil foi entregue em Brasília pela Associação dos Artistas Plásticos de Piracicaba (Apap) ao Ministério da Cultura (Minc) e aguarda aprovação. O valor inclui desde a colocação de aparelhos de ar condicionados nas salas até a reformulação da praça ao redor da Pinacoteca.
Eduardo Borges de Araújo – como artista plástico e não como membro da Apap, como ele mesmo salientou – acredita que o quadro se agravou na gestão petista, por mero descuido. “Falta boa vontade, mas isto vem de gestões anteriores, de longo tempo. Isso surgiu até antes do outro governo Machado, que também pouco fez nos três anos e meio”, reclama Araújo, que completa: “Os dirigentes precisam entender que o artista leva sempre o nome da cidade, independe de qualquer partido, de qualquer governo. Por isso eu reconheço quando algo bom é feito, mas não fico quieto quando não é feito nada. Quero colaborar independente da gestão”.
Mas o secretário Heitor Gaudenci, da Ação Cultural, defende-se e afirma que a Pinacoteca é um prédio já herdado com problemas. “Nós não tivemos recursos possíveis para que ela continuasse funcionando. Até contratamos uma empresa, ela desenvolveu um projeto e, com ele na mão, tentei patrocínios. Ninguém do setor privado se declarou na perspectiva de colaborar, por isso, o mecanismo mais viável é a Lei Rouanet”, aponta Gaudenci.
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