
Os mais de 30 integrantes do Circo Estatal de Cuba escolheram Piracicaba para fazer várias apresentações. Eles devem permanecer na cidade por um mês. O maior desejo da trupe, no entanto, é que os piracicabanos esqueçam os DVD`s, o cinema, e enfim, saiam de casa para aproveitar o tempo de descanso com muita alegria e descontração.
Há um ano e meio no Brasil, o circo possui um conceito novo de picadeiro, sem animais e palhaços tradicionais, mas com muita música, sincronia de movimentos acrobáticos. As principais atrações são os trapezistas e malabaristas, o táxi maluco e o globo da morte. A trupe é formada por 15 cubanos, seis brasileiros, dois chilenos e um colombiano. Quase todos são ex-atletas olímpicos.
A proposta do Circo Estatal de Cuba é fazer um espetáculo interativo, que “tire” o público do lugar. “Procuramos privilegiar grandes centros. Já passamos por Curitiba, São Paulo, Belo Horizonte e Salvador”, informa o artista cubano Gebel Willian Estewanovichi, de 28 anos, que gosta de lembrar que a família está na área há seis gerações. Ele informa ainda que outros quatro circos dos Estewanovichi estão espalhados pelas grandes cidades do Brasil.
Junto com toda a trupe, 10 carretas, três caminhões, oito carros, um ônibus residência e uma lona de 60 metros por 70 de diâmetros. A arquibancada suporta três mil pessoas por apresentação. “A nossa estrutura é muito grande e seria muito cansativo percorrer cidades com poucos habitantes, por isso adotamos essa postura”, esclarece.
O Circo Estatal de Cuba, de acordo com o artista, só sobrevive graças à boa administração. Estewanovichi diz que no Brasil o povo é mais “caliente”, embora na maioria dos casos priorize filmes em VHS e DVD, sessões de cinema e a televisão. “Com essas facilidades, as pessoas se acomodam em casa e deixam o circo de lado”, acredita o palhaço. “Os pequenos circos já não sobrevivem mais no Brasil. Em Cuba a renda é igual para todos, independente do público”, acrescenta.
De acordo com o artista cubano, o circo não possui animais por dois motivos. “Aqui damos valor para os artistas, às ´personas` que atuam no picadeiro. Não queremos explorar os animais e também seguimos uma regra do governo cubano. Diferente do Brasil, onde o circo sofre com falta de dinheiro, em nosso país todos que trabalham na área possuem muitos incentivos financeiro-políticos. Uma das regras é que nenhum pode trabalhar com animais”, comenta.
Estewanovichi, mesmo sendo de Cuba, adota um nome artístico brasileiro. No picadeiro, sem muitas maquiagens, ele se transforma no palhaço Soneca. “Sempre gostei muito de criança, mas no circo, aprendi a lidar com todas as idades, até o pessoal adulto e mais idoso. A minha preocupação é que todo público se divirta e goste da atração”, acrescenta ele, que já se apresentou no Chile e Estados Unidos. Recentemente, o palhaço participou de um concurso em Bogotá (Colômbia), onde garantiu a primeira classificação. “O segundo lugar foi para um brasileiro e o terceiro era americano”, orgulha-se.
“O segredo da risada é não deixar os participantes parados. Quando convido alguns para participar da atração no palco, vejo que todos se divertem junto com a gente”, diz e completa: “Tenho um estilo europeu de trabalho, valorizando mais os gestos mímicos e me preocupando pouco com a maquiagem”.
Reportagem publicada no dia 26-08-04, no Jornal A Tribuna Piracicabana
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