Cultura
09/08/2004
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Salão de Humor “Entre o ideal e o real, teremos o possível”
Pelo menos é o que acredita Heitor Gaudenci, da Ação Cultural; ele diz que o valor captado é o maior da história do evento
Mesmo sem os R$ 500 mil, o “valor ideal”, mas com uma quantia nada pequena, de R$ 390 mil, a trigésima edição do Salão Internacional de Humor de Piracicaba deve ser uma das mais “gloriosas” da gestão petista. Pelo menos é o que demonstra a convicção do secretário Heitor Gaudenci Júnior (Ação Cultural) e de Maria Ivete Araújo, a Zeti, responsável pela programação do evento. “Será o maior volume financeiro de toda a história do Salão. Entre R$ 500 mil, que é o ideal, teremos o possível. Isso deve ser somado a repercussão externa, lembrando que nos últimos 30 anos, o evento nunca esteve tanto na mídia, uma vez que o Memorial da América Latina reconheceu o nosso trabalho e realizou uma grande mostra”, acredita Gaudenci.
Para a edição dos 30 anos, de acordo com Gaudenci, o presidente da Fundação Nacional de Arte (Funarte), Juca Ferreira, já deixou mais que garantido o valor de R$ 200 mil. “Estive na segunda-feira, (dia 2) e conversei pessoalmente com o Juca. Já assinamos o convênio entre a Prefeitura entre o Ministério da Cultura. Ele já foi inclusive publicado no Diário Oficial do dia dois de julho. Eu já pedi para buscarem a cópia desse documento e estamos apenas aguardando a liberação do recurso”.
Na última quarta-feira, 5, a gerencia da Petrobrás recebeu a proposta de apoio ao evento. No ano passado, a empresa liberou R$ 96 mil, que foram destinados à edição do livro dos 30 anos e à mostra do Salão. Gaudenci espera agora, uma quantia ainda maior, que será de R$ 140 mil, “mas ainda não é nada definitivo, embora deva sair sem nenhum problema”. O valor deve ser somado ao prêmio Saúde, concedido pela Unimed, que é de R$ 2 mil e outros R$ 50 mil, vindos do município. “Tem quantias que não podemos divulgar. Estamos negociando com outras empresas”, completa Gaudenci.
INSCRIÇÕES - Além da preocupação das verbas, que não surgiam tanto por parte do Ministério da Cultura quanto pela Secretaria do Estado, o que também deixou os organizadores de cabelo em pé foi a ausência de inscrições. Com medo de não cumprir a expectativa de volume dos anos anteriores, o prazo foi prorrogado até dia 14. Mas, pelo que Zeti informa, este é um assunto pra lá de superado. Até a última sexta-feira, o evento já quase alcançou a média do ano passado. Em 2003, a soma foi de 500 inscrições. Este ano, o Salão alcança a casa de 400 inscrições, o que equivale a uma média de 1200 trabalhos, com predomínio de artistas do leste europeu, além, é claro, do público brasileiro. “Costumo usar as palavras de Caruso para definir o Salão de Piracicaba, que é o embaixador do humor gráfico no país. Deve ser muito impactante alguém da Bósnia endereçando um envelope para o Brasil”, acredita o secretário de Ação Cultural.
Mesmo com o número de artistas desejado, a prorrogação das inscrições deixará uma marca na 31ª edição, pois o Catálogo não ficará pronto até a data do evento, cuja abertura está marcada para o dia 28. “Ele vai ser entregue, mas possivelmente em meados de setembro. Para o artista o catálogo é muito importante”, frisa Gaudenci.
PROGRAMAÇÃO - Até agora a programação ainda não está definida. Uma reunião será realizada na quarta-feira, em São Paulo, para tratar do assunto, com base no valor suposto para o Salão. A intenção, de acordo com os organizadores, é uma abertura “light”, dando prioridade para o espírito mais artístico. “Queremos trazer o Sabath, um conceituado cartunista argentino. Mas até agora só temos confirmado o Rodrigo Rosa, que será o homenageado na abertura”, informa Zeti.
Para a 31ª edição, o que também será aproveitado é o sucesso do “Piadas do Salão”, que desta vez recebe uma nova roupagem, sob o título de “Olimpíadas”. O Salãozinho deve ser mantido, sem falar num conjunto de debates para a discussão do humor.
PRÊMIO - O que se pode esperar para esta abertura é a entrada do secretário Gaudenci com dois troféus, que na opinião dele, a mídia não deu a importância merecida. Ele informa que o prêmio é de 2001 e 2003, quando o Salão recebeu o Troféu HQ MIX de Melhor Salão de Humor, concedido pela Associação dos Cartunistas do Brasil, ainda no último dia 5 de julho, em evento no Sesc Pompéia, na capital paulista.
ATRAÇÕES - Como cultua a tradição, o homenageado Rodrigo Rosa, que também foi o responsável pela arte do cartaz, deve ganhar uma mostra paralela. Quem também será tema de exposição é o artista gráfico piracicabano Eduardo Grosso, que passou pelo Salão de Humor várias vezes. No Pavilhão 14, de acordo com Zeti, haverá uma outra mostra, desta vez lembrando os trabalhos de Jaguar. Além disso, a intenção é aumentar o acervo permanente da exposição dos 30 anos do Salão.
Uma das atrações da exposição será a cópia do “Mural do Canecão”, de Ziraldo, um painel em lona de 31 metros de largura por 4 metros de altura, com 180 metros quadrados de área impressa. O trabalho foi pintado em 1967 e destruído em uma reforma do Canecão, que se tornou uma casa de espetáculos. Por ocasião do 28º Salão de Humor de Piracicaba, a recuperação aconteceu em 2001, pelo Bureau Digital Bandeirante.
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