
O conceito de movimento estudantil muitas vezes é esquecido pela maioria dos universitários. Os poucos que se interessam pelo assunto encontram tempo para estudo, trabalho e ainda conciliam a luta pela qualidade de ensino. Com a missão de buscar melhorias aos estudantes da universidade pública, seja na vida social ou estudantil, o Centro Acadêmico Luiz de Queiroz, na Esalq, foi fundado há 95 anos. O assunto era prioridade na época e ainda hoje continua atual para os dirigentes da entidade, que durante a próxima semana comemoram o aniversário do Calq. No centro dos debates, o desafio em manter a entidade em funcionamento e dar novo rumo à sede, que precisa de reforma.
Segundo Maria Fernanda Arraes de Souza, presidente da chapa “Construção”, a luta pelo movimento estudantil ficou nas mãos de um grupo por cinco anos. “O Calq não teve chapa para concorrer ao cargo por este tempo, foi em 2001 que nós resolvemos montar uma chapa concorrente e, com a vitória, conseguimos mudar muita coisa. Fizemos assembléias e revertemos este quadro”, afirma ela, que está no último ano de Engenharia Agronômica.
Após este período, Maria Fernanda destaca que a Esalq teve que se adequar ao surgimento de outros três cursos: Gestão Ambiental, Ciência de Alimentos e Ciências Biologias. “Antes, a universidade não funcionava à noite e esta mudança alterou a rotina de todos os esalqueanos. Logo o Calq se tornou o agente centralizador para representar os novos estudantes”, acrescenta. É desta gestão que surgiu a Associação Avante de Ensino Pré-Vestibular Alternativo, que presta auxílio gratuito aos alunos que querem ingressar no curso superior.
A dificuldade de levar para o centro de debates a questão da qualidade de ensino era constante e os 15 integrantes do centro acadêmico resolveram centralizar as atividades dentro do campus. O desafio mudou de foco e os líderes começaram a promover debates para “quebrar o encanto” dos alunos. “Como a Esalq é muito grande, os alunos se encantam com a boa estrutura e se esquecem de discutir a qualidade de ensino”. Logo, outros quatro centros acadêmicos surgiram e também atuam ao lado do Calq pela melhoria do sistema público.
Foi pensando nas discussões que mobilizassem o mundo acadêmico que o Calq realiza uma semana em comemoração aos seus 95 anos. A celebração da data acontece durante toda a próxima semana, entre os dias 17 e 22, com a realização de diversos eventos. Os debates e as palestras serão realizados no Salão Nobre, abordando temas como universidade, reforma universitária, movimento estudantil e desenvolvimento nacional. Feiras de artesanato e as apresentações musicais e danças, que compõem a parte festiva das comemorações, acontecem em diversos pontos do campus.
Sede da entidade tem
problemas estruturais
Desde 1909 o desafio do Centro Acadêmico continua o mesmo: manter a auto-sustentabilidade. “Por se tratar de uma universidade pública, não há um destino de verba para o Calq. O único convênio que temos é com o xerox e, no mais, inscrevemos projetos para associações e fundos de cultura, que podem bancar a nossa iniciativa”, informa Maria Fernanda Arraes de Souza, da diretoria atual.
No dia 23 de maio, a sede do Calq completa 41 anos. Ela está localizada na rua Voluntários de Piracicaba, 429, no centro, e foi planejada para comportar 700 alunos. Na época, era a principal fonte de renda da entidade, que realizava bailes e noites dançantes no local. Hoje, com a expansão de alunos na Esalq e também com a construção de residências nas proximidades, o uso da sede tornou-se inviável.
A sede está avaliada em R$ 390 mil e uma reforma nas atuais condições foi orçada por R$ 350 mil. “A boatinha acabou nos anos 80 e o prédio ficou velho. Antes, os estudantes se locomoviam de bonde para o centro e possuíam uma vida social. Hoje, as repúblicas ficam próximas à Esalq e a expansão das vagas no campus fez com que o prédio não coubesse muitas pessoas. Não dá nem para promover uma sinucada que o local fica apertado”, lamenta.
Um dos destinos propostos para a sede é destiná-la para fins comerciais, colocando-a para alugar. Mas outros estudantes defendem a proposta da criação de um Centro Cultural. Este impasse será resolvido na próxima terça feira, às 18 horas, no Anfiteatro da Agricultura, numa assembléia da entidade que irá nomear uma comissão pró-prédio. Quatro eixos nortearão o debate: educação, desenvolvimento nacional, terra e movimento estudantil.
Crédito da Foto
Fábio Teixeira