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 Experimental
  27/08/2003
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É um prêmio cuba estar fora da Alca, diz secretária de Fidel
Cuba é o único país da América Latina que não está incluso na Alca, fato que para a cubana Lydia Guevara Ramires, 57, é um privilégio. Para ela, Cuba tem a sorte de ter um governante como Fidel Castro. Em entrevista ao Impressão, Lydia fala de Lula, Fidel, Alca e Cuba. Ela é professora de Direito na Faculdade de Direito da Universidade de Havana e secretária da Diretoria nacional da Sociedade Cubana de Direito do Trabalho e Seguridade Social. Mulher de pulso firme, ela levanta a bandeira da autonomia entre os páises e da união entre a América Latina. “Queria que todos os homens fossem iguais a fidel”, disse a professora, durante o 1ª Encontro Continental sobre a Alca, no dia 29 de agosto de 2003, na Universidade Metodista de Piracicaba.
Qual o papel desempenhado pela Diretoria Nacional da Sociedade Cubana de Direito do Trabalho em Cuba?
É uma Organização Não Governamental (ONG) formada por juristas e economistas que questionam o pensamento neoliberal e os efeitos da globalização em Cuba. Possui certificado pela Organização das Nações Unidas (ONU). A Diretoria se preocupa em organizar eventos que lutem por uma causa justa e humanitária.

Como está a vida em Cuba em meio à crise?
Somos vistos como extremistas, mas como pode um país que possui apenas 3% de desemprego estar em crise? Todos insistem em dizer que Cuba está em crise por ter um modelo de governo diferente dos outros países.

Quais as vantagens que o modelo administrativo de Fidel Castro em Cuba?
No próximo ano, Fidel estará declarando Cuba livre do desemprego. O país não possui analfabetos e todos têm direito à educação de qualidade. Um bom emprego após os estudos também é assegurado. As pessoas possuem seguro médico gratuito.

O Comitê de Proteção aos Jornalistas (CPJ), apontou Cuba como um dos países mais perigosos para o exercício da profissão. Como é a postura da imprensa em Cuba?
Lemos jornais, assinamos revistas, assistimos ao telejornal. Existe uma organização de jornalistas que debatem os aspectos positivos e negativos de se publicar ou não uma notícia. Eles estudam o impacto da notícia na sociedade e se acham que não é necessário divulga-la, não o fazem. Só é notícia o que interessa ao povo.

Existe em Cuba uma constituição trabalhista como no Brasil?
Lá funciona um código de trabalho. Várias organizações sindicais e órgãos competentes são escolhidos para resolver conflitos, quando acontecem, entre trabalhadores e patrões. As pessoas trabalham oito horas ao dia. As mulheres se aposentam aos 55 e os homens aos 60 anos. Quando alguém procura um emprego, há uma comissão que analisa o currículo do trabalhador e o direciona para a melhor área.

Você acha que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conseguirá tomar as decisões necessárias nas negociações da Alca?
Temos muita admiração pelo presidente brasileiro em Cuba, já que ele é humilde e parece estar disposto a lutar por uma classe a qual pertence. Tenho fé que Lula será pulso firme e não assinará a Alca. Ele está buscando uma outra integração entre os países latinos e conseguirá.

O que você acha de Fidel Castro?
Fidel Castro é um dos melhores homens do mundo. Queria que todos os homens fossem iguais a Fidel. Queria que cada país possuísse um homem com a mesma garra e disposição de Fidel. O meu maior desejo é que ele fosse eterno.

Você acredita que a não adesão da América Latina à Alca pode acarretar um bloqueio econômico?
Nenhum país pode ser passivo numa negociação. É como num diálogo, onde duas pessoas devem estar falando do mesmo assunto, mas a Alca virou um bate boca entre as nações. Os países latinos são fornecedores diretos dos EUA e mesmo que aconteça um bloqueio, a união dos blocos favorecerá a América Latina.

Qual seria a principal saída, na sua opinião, para a América Latina?
Os países latinos devem se integrar contra esse acordo. A Alca só quer sugar as energias produtivas dos países de terceiro mundo e a união de todos é fundamental. A Alca não é uma alternativa de integração, pelo contrário, segue negociando a desintegração da América Latina.

E o fato de Cuba estar excluído da Alca?
Foi um verdadeiro prêmio Cuba estar fora da Alca. Isso só aconteceu porque temos um bom governo e vivemos numa democracia diferente. Talvez os EUA não queiram pensamentos e ideais diferentes para influenciar os outros países. A Alca é o Nafta multiplicado por 34, mas graças a Deus, não é multiplicado por 35.

Esta entrevista foi produzida em parcercia com os colegas Kátia Martins, Mariana Roel, Mariana Valadares e Thaís Fiório, em agosto de 2003. Também foi publicada no Jornal Impressão
  Autor: Rodrigo Alves
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